"Primogênita"

Nunca pude contar contigo
Hoje tu, é quem não conta comigo
E o dedo acusador que sempre me apontou
Hoje se volta contra ti
O amargo que escorre do meu peito
É o pior de mim
Tudo que colhe, é o nada que plantou
Se no decorrer da vida não me odiaste
Também nunca me amou
Por que choras?
Se na infância foi meu pai-herói,
Tornou-se em minha mocidade meu algóz,
Transformou-se no nada em tua velhice de agora
Negastes todos os meus pedidos
Quando precisei, recolhestes também a mão
Hoje não escuto teus gemidos
Minha mágoa é fruto do teu desleixo
Sufoquei meu coração.

By Déo Gadelha

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